Economia

A CORRIDA DO OURO

O cavalo de esporte vai ocupando espaços cada vez mais privilegiados no mercado brasileiro. Alguns resultados colhidos junto a fontes leiloeiras do setor mostram claramente a ampliação desse segmento e a disposição do usúario em pagar valores adequados por animais que tenham condições de desempenhar um bom papel na atividade esportiva.

A Meta Leilões vendeu no ano passado 398 animais das raças Brasileiro de Hipismo (BH), Anglo-Árabe, Cruza-Árabe e Andaluz à excelente média de 7 mil e 985 reais. O BH foi a grande vedete, pois atingiu a 12 mil e 220 reais de média por 211 produtos.

Pelas bandas dos hipódromos, a coisa esteve ótima também. A APPS - a principal empresa do segmento - só com a venda de 864 potros de 2 anos faturou 9 milhões e 492 mil reais! Uma média e tanto: 10 mil e 915 reais. Tanto num caso como no outro, é bom que se observe que a maioria dos produtos vendidos é constituída por animais muito novos, em ínicio de treinamento. Os que se destacam na atividade acabam valendo grandes fortunas. Por isso mesmo, a corrida do ouro.


WAY OF LIFE RURAL

Entre os eventos que agradaram em cheio o gosto da sociedade brasileira, nos últimos 20 anos, dois se originaram no meio rural.

O leilão agitou de tal forma o país que, hoje, dá a impressão de que não há empresário brasileiro que tenha escapado de comprar um cavalo, uma vaca ou um boi. Os leilões fizeram girar milhões de dólares nas casas de espetáculos das grandes capitais. Um enorme investimento que só reverteu em benefícios para o setor rural, seja em tecnologia, em equipamentos ou em modernização da infra-estrutura das propriedades.

Enquanto isso, no interior do país, outro evento - o rodeio - foi crescendo em ritmo acelerado, até atingir proporções espetaculares. Chega a igualar-se ao futebol, quando, por exemplo, Barretos (SP) recebe platéia de até 73 mil pessoas por dia.

Juntos, o leilão e o rodeio, deram carona para a indústria automobilística e cor típica para a nossa moda country. Fizeram nossos “socialites” cultuar os versos de Chitãozinho e Xororó.

No leilão, as pessoas vão para fazer negócios e, de quebra, ganham uma festa. No rodeio, as pessoas vão para uma festa e tomam gosto (o melhor amaciante do investimento) pelo setor rural. Tanto faz como tanto fez, porque no fundo, no fundo, o homem vive procurando juntar o útil ao agradável. O importante é que ambos promovem o “way of life” rural.


ASSISTINDO DE CAMAROTE

O rodeio completo, que inclui provas funcionais - laço de bezerro e várias outras - abre um novo espaço para promover o cavalo. Um espaço que será cada dia mais cobiçado pelos criadores que querem exibir a funcionalidade das raças que criam.

Logo, o rodeio incita e o leilão vende. Ou seja, o primeiro desperta a libido, o outro consuma. Mas, embora a fórmula seja perfeita, eles deverão continuar vivendo em quartos separados. O Jaguariúna Festival, por exemplo, realizado todos os anos, chegou a ensaiar um leilão algum tempo atrás. Percebeu, porém, que seria um erro e, em tempo, ficou só com o rodeio e os shows, numa festa inesquecível.

Só para se ter uma idéia de sua dimensão, há rodeios que, em onze dias, recebem cerca de 800 mil visitantes, pagando ingressos de 5 a 20 reais. Os camarotes ficam lotados por empresários e figuras da sociedade paulista. Enquanto os prêmios, que são o principal, chegam a um total de 300 mil reais - quantia só comparável às do nosso turfe. Pode haver algo mais estimulante?

Como se vê, o rodeio passou a ser uma atração nacional que, além de criar nossos “caubóis” heróis, também divulga os nossos cavalos. Objetivamente, ainda não aprendemos a utilizá-lo como mídia e tampouco como elemento ativo de promoção dos leilões, mas isso não vai demorar. E eu quero assistir de camarote.

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